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:: Saúde :: Março de 2005

TERÇOL
Tudo que você sempre quis saber sobre... terçol

Apesar de comum, poucos sabem de onde vem e por que o terçol vai embora. Confira aqui as dúvidas mais freqüentes e entenda mais sobre essa condição facilmente tratável
Adriana Plut

Como saber se estou com terçol?
A sensação é de um corpo estranho ou areia no olho afetado, que fica muito sensível. “O paciente pode notar um nódulo na porção interna ou externa da pálpebra, que fica inchada, avermelhada e quente”, explica a oftalmologista Consuelo Adan, vice-diretora médica do Banco de Olhos do Hospital São Paulo.
É fácil diferenciar a conjuntivite do terçol: no primeiro, a pessoa fica com o olho inteiro vermelho, enquanto no segundo observa-se um inchaço na pálpebra, com uma elevação localizada.

O que causa a elevação?
O terçol é a inflamação das glândulas responsáveis pela secreção sebácea, localizadas nas pálpebras. O terçol surge quando essa secreção não é eliminada. “Como existem milhares de glândulas, o terçol pode aparecer em vários locais do olho”, esclarece Luciene Barbosa de Souza, professora afiliada da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Existem vários tipos de terçol?
O nódulo pode ser externo ou interno (proveniente de glândulas sebáceas na parte interna das pálpebras) e a doença pode ter diversas fases. “Na fase em que está inflamado, o terçol é chamado de hordéolo e pode evoluir de três maneiras: ou vem e desaparece, ou a bolinha estoura, eliminando uma secreção amarelada, ou os sinais inflamatórios desaparecem e a glândula continua obstruída, mas indolor”, diz a oftalmologista Luciene.

A doença pode evoluir para casos mais graves?
Raramente. Segundo Consuelo, não é comum os hordéolos evoluírem para celulites orbitárias, que são quadros graves e necessitam de antibióticos sistêmicos. “Se o terçol infeccioso não for tratado, pode evoluir para uma inflamação em toda a região”, explica Luciene.

Como tratar?
Recomenda-se apenas que o paciente faça compressas com água filtrada morna ou soro fisiológico várias vezes ao dia. “Isto é feito para que a secreção seja drenada espontaneamente”, explica Consuelo. “Se isto não ocorrer de forma natural, o oftalmologista pode drenar artificialmente com material apropriado, sob anestesia tópica”.

Fuja do mito de que a compressa deve ser feita com água boricada – ela pode causar alergia. E não utilize colírios sem consultar o oftalmologista. “Muitos colírios contêm corticóide, o que faz com que a dor diminua, mas a substância segurará o processo, criando mais dificuldade para drenar”, continua.

O terçol é contagioso?
Não. “Às vezes algumas pessoas chegam no consultório dizendo que o terçol passou de um olho para o outro”, diz Consuelo. “Isso não acontece.”

Existe alguma maneira de prevenir?
O terçol ocorre mais freqüentemente em pessoas com algum tipo de disfunção das glândulas, como acne recorrente. “Nesses casos, a única maneira de prevenir é tratando a doença de base ou higienizando as pálpebras com produtos adequados”, explica Luciene.




 
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