:: Saúde :: Maio de 2005

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Levando na esportiva


High Intensity Blue, da Oakley: maior visibilidade no escuro
Pense bem na hora de escolher óculos para a prática de esportes, sejam eles solares ou oftálmicos. A simples cor das lentes ou o modelo da armação podem melhorar – e muito – o desempenho do esportista

Adriana Plut

Quem tem graus altos e não consegue usar lentes de contato não pode praticar esportes, certo? Errado. Hoje já existem óculos oftálmicos feitos de materiais extremamente resistentes para a prática de qualquer tipo de esporte, até aquáticos. Na linha de solares há lentes e cores confeccionadas sob medida para esportes específicos, o que faz toda a diferença. Com tanta tecnologia à disposição do esporte, o resultado não poderia ser outro: uma melhora visível na performance do atleta.

Alguns aspectos não podem ser ignorados na hora de se optar por um par de óculos. Atualmente já são desenvolvidos, por exemplo, tipos específicos de lentes para diferentes esportes. Materiais leves e com resistência para agüentar fortes impactos também ajudam. “Tudo depende da necessidade da pessoa: vai praticar esporte de dia ou à noite? Onde? Tudo deve ser medido para se obter uma cor saudável, proteção e qualidade de visão”, explica o consultor óptico Miguel Giannini, da óptica Miguel Giannini.

Para se confeccionar um par de óculos oftálmicos adaptados para a prática de esportes, é preciso ter cuidado na hora de escolher a armação. “Existem armações em que não é possível colocar lentes com grau”, explica Marco José, técnico da óptica Miguel Giannini. “Algumas são tão estilizadas que tornam o processo impossível.” Altas ametropias também podem ser contornadas: alguns modelos esportivos acomodam bem lentes de grau alto – e eles incluem até máscaras de mergulho e óculos de natação.

Até debaixo d’água
Foi-se o tempo em que quem não usava lentes de contato era imediatamente excluído de esportes como mergulho. Hoje já estão disponíveis modelos especiais de máscaras em que podem ser adaptados variados tipos de lente. “Alguns aceitam qualquer graduação, inclusive lentes bifocais”, diz Marco José. Segundo ele, certos óculos de natação especiais também aceitam altas ametropias. “Na natação não existe necessidade de lentes bifocais, mas também é possível colocar qualquer graduação”, diz. Mas atenção: nem todas as máscaras ou óculos têm essas características.

Uma opção para esportes terrestres é a máscara com liga, uma tira que passa por trás da cabeça do usuário ao invés das hastes tradicionais. O modelo traz segurança ao atleta, que pode ter certeza que seus óculos não vão esfarelar na primeira bolada que tomar no rosto. A armação é feita de um acetato especial e a lente é de policarbonato, altamente resistente a impacto. “Este modelo é ideal para jogos como futebol de campo ou salão, basquete, vôlei e squash. Também tem silicone nas têmporas e no nariz, para não machucar”, explica Giannini. “As pessoas que procuram esses óculos não gostam de usar lentes de contato, mas também têm medo de levar uma bolada com óculos comuns.”

Esse medo não é descabido: em alguns esportes o uso de óculos passou de recomendável a obrigatório. É o caso de exemplos conhecidos como hóquei e algumas posições de baseball, e outros não tão comuns, como badminton, uma espécie de tênis com peteca, muito popular no Canadá. “O governo canadense recentemente obrigou o uso de óculos nesse esporte, pois estavam ocorrendo acidentes com muitos jogadores”, conta o oftalmologista Emerson Castro, coordenador do pronto-socorro do Hospital das Clínicas, em São Paulo. “Existem também esportes de alto risco. Uma pesquisa mostrou que quem praticava squash três vezes por semana, num período de cinco anos, tinha grandes chances de sofrer uma lesão nos olhos.”

Hora e local
Muitos danos causados pelo esporte acabam passando em branco, como é o caso dos raios ultra-violeta. Seu efeito pode ser maior ou menos, dependendo do local em que o esporte é praticado. Na montanha, por exemplo, a radiação UV é extrema, especialmente no inverno: a neve reflete 85% desses raios. A água, por sua vez, reflete algo em torno de 20% e a areia, 10%. Esses fatores devem ser levados em conta, já que a falta de proteção pode provocar doenças e prejudicar a conjuntiva e a córnea de maneira irremediável. “A exposição ao sol pode causar doenças agudas, como pterígio (membrana que cresce sobre o olho) e ceratite, que deixa o olho irritado e vermelho no final do dia. O jogador Romário e o técnico Wanderley Luxemburgo são exemplos de atletas que tiveram pterígio”, diz Castro. “Há também doenças crônicas como catarata e degeneração macular relacionada à idade.”

Além da proteção contra raios UV, também deve-se pensar nas cores das lentes, dependendo do esporte ou da hora escolhida para praticá-lo. A lente amarela High Intensity Blue da Oakley, por exemplo, permite maior visibilidade na escuridão. Foi desenvolvida para esportes noturnos como ciclismo e é até usada pelas forças de elite do exército norte-americano. Outra lente da marca também utilizada pelo exército americano é a G26 verde, que realça as cores laranja, desenvolvida especificamente para tiros e caça. A Oakley também criou uma lente indicada para Golf, a G 30 rosada, que possui alto contraste, o que permite que o jogador veja as nuances do campo.

Para esportes aquáticos devem ser escolhidas lentes polarizadas, pois estas funcionam como uma persiana que filtra os raios em excesso, provenientes de superfícies lisas como a água ou o asfalto. A marca Julbo, por exemplo, desenvolveu as lentes Camaleon, polarizadas, fotocromáticas e com tratamento que faz a água escorrer das lentes ao invés de aderir a elas, o que pode atrapalhar muito em esportes aquáticos.

Atenção nas armações
A armação também não deve ser escolhida apenas pela beleza: cada uma delas tem características desenvolvidas para esportes específicos. Para modalidades praticadas em montanhas, como trilha, esqui e alpinismo, a Julbo oferece a linha Outdoor, que vem com proteção lateral para vedar os raios de sol, além de poeira e vento.

O material também deve ser resistente para agüentar impactos. Alguns modelos também possuem sistemas especiais, como de hastes flexíveis e mais anatômicas para que a armação fique cômoda e ao mesmo tempo firme no rosto do esportista.

Tentando resolver o problema de quem usa óculos oftálmicos, a Julbo oferece também a linha Speed, voltada para corrida, ciclismo e vôlei de praia, que tem um clipe óptico. De qualquer maneira, quem deseja colocar grau nos óculos deve tomar cuidado ao escolher a armação: o melhor é sempre consultar um especialista. “É preciso avaliar cada caso”, diz Miguel Giannini. “Depende do grau, do tipo de armação, além do gosto da pessoa, claro.”

Fotos: Maria Clara Diniz


 
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